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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
O mês das greves

Fevereiro tem sido particularmente péssimo. Com tantas greves o trânsito bate recordes e não é só por um dia... Quem é que, num mês com 28 dias, no qual mais 10 dias são greve, vai comprar passe social se tiver carro? Pois... Eu também não!

Sim, os trabalhadores têm a sua razão; aliás, o trabalhador é como o cliente, tem sempre razão... Se bem que muitos destes trabalhadores (dos transportes) vêm as pessoas a quem prestam um serviço como gado, e nunca ponderam o factor razão; pelo menos a maioria deles, mas admito... Há excepções.

Cortes salariais são uma "treta", e pior isso, cortes salariais numa altura em que tudo continua a aumentar. Digamos que isto não está bom para ninguém, a menos que estejamos a falar da classe alta, porque a média-alta anda a minguar, a média passou a baixa e a baixa anda algures na fronteira do limiar do pobreza.

Tenho a certeza que este não é o "país de Abril"; o país que a Revolução dos cravos sonhou. Não pode ser. O aumento do fosso social entre pobres e ricos, o desemprego a níveis quase nunca visto, as famílias a perder condições de vida e meios de sustento... E pior que no Portugal da "aldeia da roupa branca", sem um quintal que os aguente... Dias há que muitas famílias não têm sequer um caldo verde, verdinho, a fumegar na panela! Uma infelicidade pegada. Há porta humildemente já não bate ninguém, e muito menos se senta à mesa com a gente, pois não conhecemos ninguém.

As solidariedades tradicionais perderam-se, e com isso, parecendo durante anos a fio que não, todos perdemos. Já se está a ver porquê! Um dia disse alguém com muita idade, pensa-se que algo sábio, que "um dia... Ainda havíamos de voltar todos para o campo, para aqueles pedacinhos de terreno que ninguém quer, e que andam para aí ao abandono", e aconselhava os filhos a nunca perderem de vista o que era deles, pois podiam ainda ter que cultivar, não eles, mas os descendentes, que o "regresso", como ele lhe chamava, não "estava para já" (citando)!

Não sei se será assim, mas que o campo e a terra nos dão lições de humildade é uma tremenda de uma verdade!

A sociedade vai mal, padece, definha... Arrasta-se e quase cai sobre si mesma. estonteada, desgovernada ou, pior ainda, mal governada, que desgovernada ao menos tinha-se a desculpa que ia por si, pelo próprio pé. Neste caso, vamos "nos braços" dos outros, desses que escolhemos para no "governar", se é que assim lhe podemos chamar.

Não vejo exactamente quando é que isto poderá melhorar, mas antes de 2020 não me parece, e isto se os primeiros sinais reais e firmes de retoma se sentirem lá para 2016! Somos uma espécie de "geração doomsday"... Fomos de geração rasca para isto; santa paciência!

A mim apetece-me fugir, virar as costas a isto tudo. Perder-me... Na paisagem, algures nos tons do horizonte. Não acredito que haja um pote de ouro do outro lado do arco-íris, mas há certamente uma forma de escapar mais ou menos ileso a isto!

Temos que ponderar sair da nossa "zona de conforto", não temer desafios nem novas oportunidades que nos apareçam. Há que olhar para além do "Bojador", novamente, e ver onde um dia houve "tempestade", o "Cabo da Boa Esperança", e sim... Implica passar além da dor; mas como somos uma pátria de migrantes, devemos conseguir sobreviver a mais esta "ofensiva" da vida.

Estou a confundir desabafos pessoais com escrita sã, mas não deixa de ser séria. Penso que todos precisamos de uma séria e franca vontade de nos mexer-mos, de dinamizar-mos, de sermos flexíveis, competitivos... E isto por cá vai uma inércia... Muitos sabemos que temos que regressar um dia, se formos para fora, mas isso é independente de irmos. Para já fico por cá, mas deixem-me que vos diga, muito a sério; quero ir! Preciso de ir, respirar... Aqui o ar está muito carregado, e o monóxido de carbono sufoca, dá tonturas, dormência... Uma barbaridade.

Eu não censuro os trabalhadores que não querem receber menos por fazer o mesmo, quando tudo aumenta e a qualidade de vida deles decresce, mas censuro a incapacidade de análise relativamente à situação da nação, e a "esperteza" dos mais antigos, que acham que se despedirem uns quantos, dos mais novos, é melhor que eles terem cortes salariais... Já nem falamos em aumento. Verdade seja dita, só faz greve quem pode e nem sempre querer é poder. Querem debater isso? Também me parecia; está debatido por si.

Eu censuro a frieza de achar que tirar a pão a outras famílias é melhor que ceder uma parcela salarial. Isso meu amigos, não levo à paciência.

Vamos lá a andar para a frente com isto, que para trás, dá-me a sensação que já não dá mais.

sinto-me: Miserável como este país
música: Joe Dassin - Et Si Tu N'Existais Pas
publicado por Conventodaalma às 10:50
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1 comentário:
De Azaritos a 24 de Fevereiro de 2011 às 11:20
Isto está mau! Precisávamos quase de um milagre para isto se endireitar ! Para já podemos desabafar, falar sobre o assunto, divulgar...

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