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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
"And I said no no no"

Usando as palavras da própria moça, a reabilitação não era nada com ela.

De facto, este assunto pode ser tratado como o estranho caso de Amy Winehouse. De há uns tempos para cá a rapariga já era só mamas e cabelo; não lhe restava nada. Amy era um pequeno ser frágil e franzino que se arrastava a si próprio. Tão magra quanto qualquer pessoa que sofre de anorexia, tão drogada quanto uma estrela decadente deve ser, e o que saliento aqui é que Amy não era uma estrela decadente, muito pelo contrário... Tão estranha quanto qualquer jovem tatuada de cabelos pretos e ar distante pode ser, eis que temos aqui o cadáver do momento.

Lembro-me que há uns dois anos li acerca do facto da mãe de Amy dizer que sabia perfeitamente que a filha ia morrer, e ela também o sabia e já que era assumido, havia que planear as exéquias fúnebres, e a própria mãe dizia que ambas falavam imenso sobre isso! Mas isto faz algum sentido?

Podem dizer o que quiserem, até que o mundo inteiro viu e ninguém fez nada, e eu concordo, somos uma apatia colectiva. Em Nova Iorque, numa galeria de arte, um excêntrico artista deixou um cão morrer à fome, acorrentado, com centenas de comensais de luxo a comerem ao redor e ninguém fez nada. O que é que ele provou? Que somos uma grande fraude e servimos todos para ter pena, nada mais.

Também é verdade que não se consegue ajudar quem não quer ser ajudado, e esse também é um ponto importante nesta triste história. Penso em Amy como a Amy, a jovem que descrevi atrás, sem nada demasiado sinistro em si mesma. Facilita, quando pensamos assim, perceber o que ela era. A voz de Amy era um dom, e de facto não temos nenhuma outra assim.

No fundo o problema aqui não terá efectivamente sido a droga, mas sim quem a vende... Aquele ex-marido dela também não seria a melhor influência ou companhia... Liberta daquele mau agoiro encontra o namorado que tinha, porque quase nem chegou a ser o ex-namorado de Amy... Não aqueceu o título... Este que até parecia um tipo porreiro que que não levaria para um descaminho maior, cedeu, desistiu de remar contra a maré, mas o facto é que mal ele saiu a maré engoliu Amy. Qual será a sensação? Aposto que ele está a experienciar qualquer coisa nova neste momento.

Amy dava-se com a família, gostava da mãe, pelo menos ouviu-se a voz do pai a dizer algumas coisas... Não me parecia sozinha no mundo, apenas perdida. Mas também é verdade que se pode estar sozinho no meio de muita gente mesmo. Imagine-se um Festival de Verão onde não se conhece ninguém e estamos ali só pela música... É um local só? Acho que sim, mas no entanto há milhares de pessoas ali pelas mesmas razões. No caso de Amy, era ela quem cantava a música, mas era apenas e só essa a nota dominante e discordante.

Amy era sem dúvida fabulosa quando cantava, com ou sem microfone, em cima de uma cadeira ou de um palco, em casa a cantarolar no chuveiro ou numa sala de concertos rodeada por multidões. A Amy era a Amy... A menina da voz de sonho; e por sinistro que pareça, era isso mesmo que via nela. Pode-se dizer que era isto e aquilo, apontar-lhe todos os defeitos, vícios e fraquezas, mas não é por isso que ela será lembrada quando a voz dela soar na rádio.

Não consigo sequer ser caustica em relação a Amy, porque afinal ela era apenas e só aquilo que se via. Amy era uma estrela e tinha uma vida de sonho que nunca viveu! Acho que isto, por si só, é um castigo mais que suficiente para qualquer comum mortal.

É verdade que o dinheiro que muita estrela gasta em droga dava para salvar milhares de criancinhas no Ruanda ou no Bangladesh... Mas isso até as mal amanhadas sobras dos nossos frigoríficos. Gente como Ozzy Osbourne consumiram kilos e kilos de drogas e continuam ai, vivinhos, de boa saúde e prontinhos para mais uma "passa"; então, por esta perspectiva o que havia de errado com Amy?

Nada... O grande problema foi esse. Ser-se o que se vê, um livro aberto, o "romance" que toda a gente, e ninguém, lê... Lêr por lêr não serve de nada... Já dizia Fernando Pessoa: "Sentir? Sinta quem lê"! Amy era um história de amor à espera de ser lida.

Não faz qualquer sentido dizer que não era o talento dela que a levava a onde ela chegou. Nunca brilharás se não cintilares; e Amy era sem dúvida um cometa, um astro com luz própria, que fez questão de se apagar, de se fechar sobre si, e de deixar a escuridão que espreitava apagar de vez a luz do seu brilho. Amy terá a sua quota parte de culpa, mas prefiro pensar nela ainda muito jovem, quando dava entrevista e soava ter imenso juízo. Ela fazia querer que ia longe... E foi, o problema é que no fim acabou por ir longe demais.

Não há muito mais a dizer, e o que faltar acrescentar, deixo no ressoar da voz da própria, que infelizmente se silenciou para sempre, mas não morrerá jamais. Uma voz assim, não morre:

 

 

 

 

 

Até sempre Amy!

 

Já agora, para os fãns, parece haver um álbum acabadinho de gravar, prontinho a sair das prateleiras, que aguardava pelas melhoras de Amy para se fazer ouvir. Espero que saia em breve, e que o manager e outros afins, que acharam por bem agendar uma tour que foi cancelada na primeira data, não sintam remorsos pelo dinheiro que irão receber!

sinto-me: Com pena
música: Amy Winehouse - You Know I'm no Good
publicado por Conventodaalma às 15:42
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