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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Timor Lorosae

 

Cada vez que penso nos anos de guerra contra a Indonésia, no nosso emprenha na luta timorense (porque eram uma ex-colónia nossa) pele independência, no nosso afinco e diplomacia extremadas, para que este pequeno país fosse dono de si, e reconhecido como soberano no "ordem" político-geografica internacional, e aceite pelos demais países, só me ocorre uma palavra: desperdício.

Sinto maior tristeza ainda pelo segundo adjectivo que me ocorreu para Timor: "esse pequeno e mísero país"... O país é miserável, sim, mas não pela sua jovialidade " enquanto Democracia, não pela sua frágil e débil economia, mas sim pelas suas pessoas. Um país vale tanto quanto o seu povo, e neste caso, não se trata já de julgar um povo inteiro por um homem, ou um acto. Trata-se de olhar à volta e perceber, ler com atenção, nas entrelinhas, o que temos diante dos nossos olhos.

Este país não merece os 20 anos que Xanana Gusmão passou nas montanhas, a lutar pela sua independência, nem o esforço de nenhum dos outros guerrilheiros, que o acompanharam, e que foram muitos. Este país não mereceu o esforço da nação portuguesa, que se ergueu diante do mundo para conquistar a tão ambicionada autodeterminação timorense, e o seu reconhecimento enquanto nação livre e independente a nível internacional. Não mereceu uma só vigília , uma marcha a pé... Nem sequer as imagens dos portugueses que correram o mundo, no apoio à causa e às eleições timorenses... Não merecerem o meu esforço, que também me juntei a muitas iniciativas por Timor. E porquê? Por uma só razão: o povo! O "chão" não tem qualquer culpa de quem o ocupa.

Não era preciso terem vindo dizer que o atentado ao Primeiro-Ministro não era contra Xanana Gusmão, mas sim com o Primeiro-ministro ", não sei como dissociar o homem do cargo, quando se trata de lhe tirara a vida! Se pensar-mos bem, é o mesmo que dizer-mos que o atentando que matou o Rei D. Carlos não era contra o homem, Carlos, em si, mas sim contra a figura do Rei e da Monarquia. Está bem que por vezes a atitude individual do homem, ou a sua opinião pessoal é demarcável da sua forma de agir enquanto representante ou titular de um cargo, mas quando se trata de matar, ninguém mata o "cargo", mas sim o homem em si.

O "cargo" não desaparece por isso. Alguém ocuparia a cadeira do poder caso Xanana tivesse perecido, coisa que não aconteceu, e que jamais aconteceria, até mesmo porque, isso implicaria o descrédito de toda uma nação. Nós não podemos falar muito... Mal acabou o 25 de Abril colocámos o "cérebro" do mesmo na prisão, não vá que ele ficasse insatisfeito e resolvesse planear um novo golpe de Estado, mas não o matámos, valha-nos isso... Ficámos tão "escaldados", ao que parece, como o regicídio, que não quisemos matar mais ninguém.

Já Ramos Horta levou dois valentes tiros, que lhe podem ainda custar a vida. Os tiros foram disparados contra locais vitais, se bem que acabaram por sair ligeiramente "ao lado", dando cabo de parte de um pulmão e criando um outro ferimento perigoso. Ramos Horta fez um escândalo pela altura das eleições, conseguindo fazer prova, não sabemos exactamente por que meios, mas pelo menos estes foram reconhecidos como legítimos e divulgados à comunidade internacional desta forma, que ele havia sido eleito Presidente, e não Xanana Gusmão, que até ai ocupara o cargo. Bela coisa... Tanta "briga" por uma "cadeira" que quase já lhe custou a vida. É muito mais difícil atentar contra Xanana, e mais que isso, acertar em Xanana, seja ele de forma directa ou "indirecta" (bomba, por exemplo). Não creio que exista um timorense capaz de matar Xanana. Ninguém fará mais do que já foi feito.

O país luta contra severas dificuldades, como é evidente, o inicio de um país, no mundo actual, frenético, baseado no poder de compra, corruptível e pouco sensível aos mais débeis, nunca seria uma epopeia fácil, mas ao que parece, todos estavam dispostos a perecer às mãos dos indonésios, mas indisponíveis para lutar para fazer germinar o que já possuem de seu.

É muito mais fácil ceder aos motins, ao saque e à pilhagem do que plantar, criar e fazer crescer, para obter rendimentos e para comer. Trabalhar numa economia como a de Timor é complicado. Não há evidentemente muito emprego, cada um terá que encontrar formas de ganhar o sustento, mas todavia, essas formas de ganhar o sustento permitem a subsistência, coisa que noutras economias mais fortes e mais prósperas é muito mais complicado, por isso é-nos um tanto ou quanto difícil de avaliar. Nem sempre o factos são tão óbvios e evidentes quanto parecem, e muitas vezes assumi-mos a posição mais fácil, de crítica gratuita, o que não podemos fazer numa situação tão delicada como esta.

Não há muitas maneira de viver "opulentamente", nem nunca me pareceu que fosse isso que esperavam, nem é esse o motivo de tantos conflitos internos. O que realmente está em causa é o sustento do dia-a-dia. É uma guerra onde não há vencedores nem vencidos, há sobreviventes, que conseguem passar mais um dia, agora pelo meio dos confrontos, antes com "dois tostões" no bolso para não passar fome.

Ninguém disse que ia ser fácil, e vale a pena lutar, parece-me é que os timorenses se começaram a virar contra o "alvo" errado. Não estou a avaliar as políticas económicas, públicas ou de concertação social de Ramos Horta, não as conheço o suficiente para isso, estou apenas a avaliar a situação como um todo.

Pergunto-me se daqui a nada vão oferecer a ilha aos Indonésios em troca de trabalho, comida e paz... Pode parecer absurdo, mas estou em crer que na ideia de muitos estes são argumentos de peso. E caso os indonésios não queiram, já que tanto ocuparam que até a lei e o código penal inspiraram, sendo os nosso preterido em favor da deles, ainda aparecem por cá a pedir aos "tiranos colonialistas" que os aceitem de volta... Vontade não lhes falta... Já juízo...

Evidentemente que este último parágrafo, como anedota, resulta quase numa grande verdade. Se por acaso os timorenses soubessem o que haviam de passar quando obtivessem aquilo porque tanto lutaram: paz, independência e eleições democráticas, não sei se teriam colocado tanto afinco na luta, mas acho que quando se está debaixo do jugo dos outros a vontade de nos libertar-mos é mais que muita, mas como em todos os processos de cura, o sarar, custa muito.

sinto-me: Estupefacta
música: Evanescence - Call Me When You're Sober
publicado por Conventodaalma às 12:41
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2 comentários:
De Fábrica dos Blogs a 18 de Junho de 2008 às 09:42
Extraímos este seu texto e transcrevemos em nosso blog Timor Lorosae Nação.
Esperamos que não se importe.
Obrigado.

Vamos ver se há reacções e quais. Estamos curiosos.

JSPinto
De Guará Matos a 3 de Dezembro de 2008 às 18:08
Parabéns pelo texto.
Observo todos os dias os posts que falam mal do P M Xanana Gusmão. Noto que existem muitas injustiças e interesses político-partidários e pessoais. É muita gente querendo usurpar a nação.
Acredito que Xanana, junto com todos, dará um bom caminho para o Timor Leste.
Abraços.
____________________________________________
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Parabéns pelo texto. <BR>Observo todos os dias os posts que falam mal do P M Xanana Gusmão. Noto que existem muitas injustiças e interesses político-partidários e pessoais. É muita gente querendo usurpar a nação. <BR>Acredito que Xanana, junto com todos, dará um bom caminho para o Timor Leste. <BR>Abraços. <BR>____________________________________________ <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Guará</A> Matos, é brasileiro do Rio de Janeiro, radilaista , professor de judo e blogueiro . <BR class=incorrect name="incorrect" <a>http</A> :/ afogandooganso.blogspot.com <BR class=incorrect name="incorrect" <a>guara.matos@gmail.com</A>

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